quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Carta de um Veterano

As palavras a seguir são parte introdutória do registro de escritos do mais nobre veterano do exército dragoriano, o rei Belthasar Ganfourt, também conhecido como “Grande Leão”.

(...)



O homem acredita ser soberano neste mundo. Pobres coitados, isso sim é o que são. Aliás, é o que somos, pois por mais que me chamem de leão, não sou de fato um felino.

Monstro. Outra bela definição para o homem. Não me entenda mal, mesmo um monstro possui virtudes. Gigantes e dragões são provas vivas disso.

Ah, sim, o homem... estava a falar dele, certo? Minha mente sempre embaralha os pensamentos quando estou a refletir sobre minha raça. Talvez seja pela a aversão que criei por alguns sujeitos, ou pelo fato de meu velho e cansado cérebro já estar começando a pregar-me as peças que a vida nos reserva para esse fim de jornada.

Sim, é o fim da minha aventura, eu posso sentir. Não sei se é pela idade avançada, mas tenho me portado de maneira mais questionadora ultimamente, sempre pensando em questões sem uma resposta definitiva. Perguntas que os filósofos fazem durante toda a vida, mas que a maioria das pessoas só pensa quando está ociosa demais ou prestes a morrer. Como por exemplo, a indagação:

Por que diabos a vida é assim?

A morte nos aguarda desde o momento em que nascemos. Por isso fazemos tudo que nos cabe nesse pequeno período que separa o primeiro choro e o último suspiro. Mas vos digo que depois de muito pensar e vivenciar, cheguei à conclusão de que a ordem das coisas está certa, embora eu tenha passado minha vida acreditando que estava errada.

Nascemos e temos todos os nossos sentidos em perfeito estado. A cada nova descoberta o mundo se recria diante dos nossos olhos, e assim experimentamos a vida todos os dias. Com o passar dos anos, passamos a conhecer faces dela que não são assim tão belas, e percebemos que a mesma mão que acaricia, é capaz de empunhar uma espada, e os tempos de inocência ficam para trás. A obrigação do trabalho e a espera pelo ócio passam a fazer parte da rotina diária. Quando menos perceber suas vistas já não enxergarão tão bem, e seu estômago já não irá digerir aquela refeição deliciosa com a mesma eficiência. Seus braços já não serão tão fortes e suas pernas mal aguentarão o peso do corpo. 

Quando a areia da ampulheta chegar à metade, seu corpo nada mais será que um recipiente gasto, portando uma alma que muito almeja o infinito. No entanto afirmo que, na velhice, ciente de que cada momento pode ser o último, me dei conta do porquê de as coisas serem de tal modo. Não posso tentar explicar-lhes com a pena e o papel, por vários motivos. Um deles é que eu não saberia como fazê-lo de forma plena, e outro é que seria uma falta de respeito para convosco tirar-lhe o prazer de descobrir certas verdades por conta própria. Mas vos digo que mesmo as doenças e complicações da velhice fazem sentido agora. Pois a cada dia que passa, menos estou preso à esta vida. A dor aguda de facas penetrando em minhas costas é contínua, mesmo que não haja uma única lâmina, e meu estômago, que antes aguentava quase um javali inteiro, hoje se enrijece como uma pedra só de ter de processar alguns pedaços de carne. Acreditariam se eu dissesse que houve época em que eu comia cinco pernis inteiros de uma só vez? Enfim, a vida me tira alguns prazeres como que preparando minha alma para se desvincular deste corpo, dizendo:

“Terás que partir em breve, e é por isso que lhe tiro aos poucos as coisas das quais mais gosta ou precisa. Adiciono um pouco de dor a cada dia, para que não tenha mais essa vontade excessiva de continuar aqui para sempre; para que o dia da partida seja um alívio, não um amontoado de pesares”.

Antes de entender isso, admito que passei um bom tempo como um velho rabugento, mas hoje estou totalmente preparado para quando a morte vier abraçar-me. Basta ela me guiar, irei de boa vontade. Aliás, se ela quiser ir conversando comigo durante o percurso ao mundo das almas, serei de todo atenção, tenho muitas perguntas a fazer. 

Parto de bom grado, não por desgostar deste mundo, até porque isso não é verdade, mas meus cabelos brancos, minhas rugas e minhas dores denunciam que já passei tempo demais aqui.

Então, antes que eu parta, pretendo compartilhar todo o conhecimento que adquiri sobre técnicas de combate e estratégia de guerra, para que se preparem caso nossos vizinhos arrogantes se assanhem novamente.

Sinto que é meu dever passar minha experiência adiante, pois apesar de nossa carne apodrecer, nossas palavras ficam. Mesmo das mãos que escreveram e já foram comidas pelos vermes embaixo da terra, passam as palavras que olhos ainda vivos lerão.

Agradeço a todos os amigos e companheiros que me suportaram durante minha jornada, especialmente à minha esposa, Luccia Jahome Ganfourt, pelo companheirismo, amor e paciência. Ao meu filhote, Richard Ganfourt, que é indubitavelmente o mais inteligente felino-homem deste mundo, e aos meus leõezinhos, Kaluh e Toliel Ganfourt, por serem duas pestes adoráveis.

Introdução e Agradecimento / Crônicas de Guerra - Técnicas de Combate: da Adaga ao Machado Duplo, por Belthasar Ganfourt I, O Leão

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Os Líderes da Aliança

O Trecho abaixo foi extraído isoladamente do capítulo 29 do meu livro (nome ainda não divulgado), página 228.


(...)

- Chega... - disse Bartolomeu, batendo três vezes com uma caneca vazia sobre a superfície da mesa, chamando a atenção de todos. Aquele som, na verdade, gerou um sutil encanto, transportando aura aos tímpanos de todos, e ajudou a acalmar os ânimos. Mas ninguém além do conselheiro do bardo foi capaz de notar a magia. - Parece que já temos nossas opiniões bem definidas. Vamos votar, para que possamos nos planejar para amanhã.

A feiticeira e o xamã eram os mais religiosos dentre os líderes da Aliança, mas resolveram relevar a ofensa, pois além de quererem prosseguir com a reunião, consideravam que as palavras de Eve eram nada mais que reclamações infundadas e tolas. Não a achavam digna de atenção.

- Finalmente alguém disse algo útil - a voz pertencia ao espadachim de olhos puxados. Tinha um chapéu de palha oriental por onde fitas de seda nas cores vermelho e negro desciam, evitando que os traços de seu rosto pudessem ser vistos em totalidade.

- Já disse o que eu queria dizer - a líder dos Amigos das Sombras se pronunciou mais uma vez. - Devemos invadir a fortaleza furtivamente, matá-lo e pôr um fim nisso isso tudo. Temos poder para isso, não há razão para continuarmos sujeitos às exigências dele.

- Para alguém que chama a si mesma de Punição Silenciosa, você até que é bastante barulhenta - rebateu Fayina, seus olhos, normalmente fechados, finalmente se abriram.

Um Homem e Um Deus

O Trecho abaixo foi extraído isoladamente do capítulo 31 do meu livro (nome ainda não divulgado), página 247.


(...)


- Preciso voltar - disse o oponente. - Você terá duas opções assim que passar pela porta. Se for sábio e humilde, sairá com vida, e garantirá o mesmo direito aos seus aliados. Se for prepotente e arrogante, como aparenta ser, estará arruinado, e seus amigos serão destroçados em campo de batalha. Pense bem, bardo, o futuro deles está em suas mãos.

'Campo de batalha?' Bartolomeu pensou. 'Ele sequer faz questão de esconder sua intenção? Pretende mesmo lutar?' Aquele pensamento ameaçou abalar seu equilíbrio mental, mas ele brevemente tratou de se acalmar. O cavaleiro desapareceu, consumido pelo portal surgido no broche.

Encarou a porta por alguns instantes. Ficou imaginando como o Paladino devia ser. Não conseguia formar uma imagem clara na cabeça. Convenceu-se de que havia de ser um homem como qualquer outro, mas com um belo escudo e uma imponente espada. Mesmo que sua idade fosse incerta, sabia que ele já estava em Arkandur há mais de duzentos anos, então não podia esperar menos que uma aparência de um ancião, daqueles que tem cara de sábio. Esperava encontrar apenas um homem, que por mais importante que fosse, era nada mais que um mortal, assim como ele. Não podia deixar que a alcunha e a história daquele líder religioso o intimidassem. Encheu os pulmões de ar, ajustou a postura, tinha de parecer confiante e intrépido. Não queria ofender o Paladino, mas também não queria mostrar cortesia demais, como se fosse um súdito. Estava ali de igual para igual, líder diante de líder. Resolveu entrar de uma vez, e quando sua mente se esclareceu de que essa era realmente sua vontade, a porta abriu-se sozinha. 

E, diante dele, um Deus.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Sobre a Vida na Irlanda (pontos negativos)

Já fiz um post falando sobre os pontos positivos de se viver em Dublin, na Irlanda. Hora de falar um pouco sobre os aspectos negativos. Lá vai:

1 - Clima
Eu já sabia que o clima de Dublin era chuvoso e frio, e como eu gosto de dias cinzentos, pensei que não seria problema algum. Eu estava errado. O clima úmido e o vento gélido podem sim somar um fator negativo. Há semanas que você sequer vê um raio de sol, e mesmo sem enxergar os pingos de chuva, pode ter certeza que o chão está sempre molhado. O vento corta feito navalha, e é bom comprar uma capa de chuva, porque os guarda-chuva se quebram assim que a primeira rajada de vento bater. Bom, é claro que dá pra viver assim, é uma questão de se acostumar, e você não pode deixar que a chuva te impeça de fazer alguma atividade a céu aberto, caso contrário, você nunca sairá de casa.



2 - Casas/Apartamentos/Acomodações estão ficando mais caras
A cidade está lotada de intercambistas, turistas e estrangeiros em geral, e todos estão malucos atrás de um lugar decente pra morar. O valor a se pagar por acomodações está subindo exponencialmente em decorrência da grande demanda, o que coloca os landlords em posição privilegiada, podendo fazer exigências bizarras e aumentando a mensalidade das acomodações. Obviamente a galera consegue encontrar um jeito de se virar. Muitas pessoas alugam apartamentos espaçosos e dividem com 5, 6 às vezes até 7 e 8 pessoas (na verdade, esse número vai aumentando e eu não sei se há algum limite, tem gente que vive que nem bicho, jogados uns sobre os outros), o objetivo é aliviar o orçamento mensal... enfim, cada um se vira como puder.

3 - Oportunidades de Trabalho
Há vagas de trabalho? Sim, há. Mas não pense que o cenário atual é lindo. Não é impossível conseguir um emprego em Dublin, mas é muito difícil, e além de uma série de requisitos que você precisa ter, também é necessário uma pitada de sorte. Ao meu ver, os principais fatores que podem ajudar você a conseguir um trabalho em Dublin são: uma boa rede de contatos, bom nível de inglês, cara de pau, determinação, e insistência. Tem gente que entrega currículo todo dia pra tudo que é vaga, e muitos conseguem alguma coisa através de indicação, por isso é tão importante ter contatos. Então, como eu disse não é impossível, mas só pra você ter uma noção de como estão as coisas, tem lugares cujas vagas para "lavador de pratos" exigem inglês fluente e experiência de 3 anos na função.

4 - Só tem Pub
Esse ponto pode ser positivo se você adora pubs e bares e tem grana pra gastar. Dublin tem milhares (não é exagero) de pubs, um mais legal que o outro. Mas basicamente é isso o que tem pra fazer na cidade toda, e depois de algum tempo acaba ficando meio "chato". Bom, há locais bem legais para se ir, como o Phoenix Park, por exemplo, mas lembre-se que o clima não ajuda muito. Há belas igrejas, museus, etc. E a costa irlandesa também é bem bonita de se ver, mas depois de alguns dias você já visitou todos esses lugares, e o programa padrão acaba sendo ir ao Temple Bar, e escolher um entre seus milhares de pubs.



5 -  A comida é meio...
Até os irlandeses que eu conheci não queriam comer a comida irlandesa, mas pra sorte deles, e dos estrangeiros, Dublin conta com boas opções de restaurantes e mercados onde é possível encontrar a comida típica de outros países, inclusive a brazuca. Por exemplo: o "café da manhã tradicional irlandês", consiste em ovo frito (melhor parte do prato), duas salsichas que são pura gordura e banha (não dá pra comer, véi), pão torrado (pretty much ok), e um feijão doce e horrível. O lado bom de tudo isso é que existe o louvável STAR PIZZA, como disse no post anterior. 


Ah, não se deixe enganar pela foto acima. Parece delicioso, não é? Pois bem, não é. O ovo frito e o pão até que se salvam, mas o resto... enfim, sei lá também, tem gosto pra tudo.


Bônus: principalmente nas áreas próximas do centro da cidade, à noite surge uma galera que parece que os caras estão bêbados 24h por dia, e ficam gritando madrugada adentro. Bom, é verdade que prefiro isso do que ouvir som de tiros ou ligar a TV num programa sensacionalista explorando algum caso trágico, mas ainda assim é algo negativo que vale ser informado.

Vou deixar a Irlanda, mas levo boas lembranças do país, e acredito que seja um bom lugar para se viver, apesar dos pontos negativos que enumerei neste post. Sentirei falta da sensação de segurança ao andar tarde da noite nas ruas, do tubo de pringles por 2 euros, da galera dizendo sorry num excesso de cordialidade que não machuca ninguém, enfim, a Ilha Esmeralda tem sim seu valor, e Dublin tem também seu charme, com suas pontes brancas sobre o rio Liffey, e seus pubs cheios de gente alegre e música ao vivo.


Sobre a Vida na Irlanda (pontos positivos)



Este post é apenas para mostrar um pouco da minha percepção sobre a Ilha Esmeralda. Vou enumerar alguns pontos positivos e negativos de se morar aqui (em Dublin, no meu caso). E é claro que o que segue abaixo é apenas a minha opinião e corresponde à minha vivência na capital irlandesa (por enquanto, 7 meses), portanto, é só uma das muitas fontes que você pode ter ao pesquisar em sites e blogs por aí. Não há como não traçar um paralelo em comparação com a vida no Brasil, já que são os dois únicos países onde vivi. Posteriormente farei um post com os pontos negativos, mas nesse primeiro momento abordarei os positivos, que ao meu ver são:

1 - Segurança
Eu nunca me senti tão seguro quanto em Dublin. Mas é claro não é o paraíso. Rola furtos e assaltos, tem muitos maloqueiros que gostam de jogar ovos e outras coisas nas pessoas (as vítimas são, na maioria das vezes, estrangeiras). Mas, apesar disso tudo, ainda me sinto MUITO mais seguro do que no Brasil. Em Porto Alegre, ao menos, nunca ia passar pela minha cabeça ir do centro da cidade até a minha casa a pé, às duas e meia da madrugada. Bom, aqui eu fiz isso (algumas vezes) e nenhum sinal de perigo. Talvez eu tenha tido sorte? É, talvez. Mas a visão que fica é esta: a Irlanda, no geral, é um país seguro de se viver, e isso influencia muito no seu humor diário e no nível de stress.



2 - Custo de Vida
Muita gente que vive aqui diz que a Irlanda - em especial, Dublin - é um lugar caro de se viver. Não posso negar que se formos comparar com outros países da Europa, pode mesmo ser considerado um pouco mais caro. Mesmo assim, é inegavelmente mais "justo" que no Brasil. E chego a essa conclusão por fazer os cálculos do mês, incluindo compras no supermercado, conta de energia elétrica, internet, apartamento dentre outras, levando em consideração o salário mínimo por hora no país, que é de 8 euros e 65 centavos. Infelizmente não consegui emprego remunerado aqui, mas mesmo convertendo o Real em Euro, e sabendo que a moeda brasileira tá cada vez mais desvalorizada, ainda assim dá pra conseguir viver em Dublin por algum tempo mesmo sem emprego (contanto que você tenha trazido a grana necessária ao menos para a obtenção do visto de estudo/trabalho e do GNIB). É obvio que a conversão sempre dói no bolso do brasileiro, mas imagina pra quem vive aqui e recebe em euro? Com um salário mínimo é possível viver uma vida digna, coisa muito difícil de se conseguir no Brasil. Ah, um detalhe: aqui, até 2015, não se pagava conta de água. Agora é que estão começando a cobrar por esse recurso, e o povo tá protestando nas ruas por causa disso. O que nos leva ao terceiro ponto:

3 - A União do Povo
Nenhum país está livre da corrupção. E digo isso porque a corrupção não é inerente a um povo ou outro, mas ao ser humano de modo geral (oh, que profundo), mas a questão não é sobre o quão debilitado um país está pela corrupção, mas como seu povo se comporta diante dela. E não somente em relação à corrupção, mas também à competência do governo em gerenciar o país de maneira eficiente, ou ao menos de um modo que o povo julgue "justo".  Um exemplo que eu gosto de citar é o da conta de água, aqui da Irlanda. Como disse, a galera não pagava por esse recurso anteriormente, e agora terão de pagar. Bom, se você olhar para os outros países, verá que eles pagam pela água que consomem, nada mais normal, certo? Pode até ser, mas a verdade é que o povo irlandês não pagava por isso, e NÃO QUER pagar. Então, não interessa quem está no poder, não interessa o partido, não interessa se é o candidato que eu votei ou não. O povo vai às ruas e protesta. E foram muitos os protestos que ocorreram, eu vi vários acontecer, e ouvi várias conversas do tipo "quando as contas vierem, não vou pagar". E não eram apenas os "menos abastados" que estavam falando esse tipo de coisa. Não é só porque você tem condições de pagar por algo, que você TEM que pagar. Pra mim, isso só mostrou o quanto esse povo é unido. Não estou julgando se é certo ou errado tal comportamento, mas vejo que o povo abraça uma causa e vai à luta, ao invés de apenas defender partido A ou B, como se fossem peões se digladiando pelo rei.



4 - Diversidade Multicultural  
Andando pelas ruas de Dublin, você vai ouvir gente falando em italiano, espanhol, coreano, árabe, alemão, russo, japonês, muito português, ah, e é claro, um pouco de inglês! Posso estar exagerando, afinal, mesmo quem é estrangeiro arranha um pouco no inglês, e é possível se comunicar sem problemas contanto que você também saiba ao menos o básico do idioma. Mas a verdade é que é possível conhecer gente do mundo todo, e para quem nunca conheceu outra cultura além da brasileira, é muito interessante ter essa experiência.

5 - O Sistema de Transporte Público de Dublin
Algumas pessoas que moram aqui vivem reclamando que os ônibus atrasam às vezes, e são caros. Bom, mais uma vez, se você for comparar com o sistema de transporte público de outros países da Europa, talvez não seja tão bom, mas mesmo assim é MIL VEZES melhor que o transporte público do Brasil. Em Porto Alegre eu tinha que pegar uma linha todos os dias para ir ao trabalho (maldito T6), e o desgraçado do ônibus estava sempre lotado, atrasava (de 5 minutos à 1 hora) e você ainda corre o risco de ser assaltado (tanto na parada, quando dentro do ônibus). Falando assim até parece exagero, e quem dera que fosse, mas não é. Em Dublin você tem um ônibus decente de dois andares, que tem até wi-fi (nem sempre funciona, mas né), estações de trem bem localizadas, e um meio de transporte chamado LUAS, que são uma espécie de bondes modernos. E é claro que o cartão (Leap CARD) é integrado, e você pode usá-lo em todos os meios de transporte disponíveis. Ah, e na maioria das paradas de ônibus há um letreiro eletrônico que indica quais os próximos ônibus que estão para chegar, e quanto tempo irão levar para chegar na parada.



6 - Povo Receptivo
Talvez você já tenha ouvido aquela história que diz o seguinte: o povo irlandês é bem-educado, amigável, e vai estar sempre disposto a te ajudar. Bem... sim e não. Isso é história pra boi dormir (ditado velho, mas funciona). Em geral, tive sorte com os irish, a maioria foi sim bem-educada, principalmente no começo, quando eu precisava ficar perguntando informação a cada esquina, sempre me perdendo nas ruas. Mas isso não é uma unanimidade, e não acredito que haja algo assim, em qualquer lugar que seja. Algumas pessoas vão te tratar bem, outras não, isso independe do lugar onde você esteja. Claro que a cultura do local pode influenciar, mas acho que o principal determinante é o âmago da própria pessoa, em ser no mínimo cordial para com seu próximo. Muita gente, no Brasil, reclama que o povo é mal-educado, mas não percebem que isso não justifica a falta de proatividade em exercer a cordialidade tão cobrada dos outros. Resumindo, minha opinião sobre o povo irlandês é que eles são bastante receptivos a estrangeiros, e que se você tratá-los com respeito, também será respeitado (também pudera, os turistas e intercambistas ajudam a movimentar a economia do país).

Bônus: vale lembrar que estando na Irlanda, fica muito mais fácil conhecer os outros países da Europa. Tem empresas aéreas (Ryanair, por exemplo) que vendem passagens a preços baixíssimos.

Bônus²: quem me conhece sabe que eu não vivo sem pizza. Aqui existe um lugar chamado STAR PIZZA que vende uma pizza inteira + batatas fritas + refrigerante + molho por 5 EUROS! Cara, eu definitivamente vou sentir falta desse lugar. Esqueça os Pubs e o badalado Temple Bar, o maior ponto turístico é o STAR PIZZA com certeza.

É isso, o próximo post será sobre as desvantagens.


Té!    

sábado, 14 de fevereiro de 2015

5 Motivos para ler "A Batalha do Apocalipse" e "Filhos do Éden"

Para começar, gostaria de dizer que é possível encontrar resenhas dos livros do Eduardo Spohr em diversos sites e blogs por aí. A maioria das resenhas que eu li a respeito das obras dele falava muito bem da fluidez narrativa e da versatilidade dos personagens, dentre outras coisas. Há também alguns lugares onde é possível encontrar textos apontando oportunidades de melhoria e fazendo críticas construtivas, e é claro, endereços virtuais com textos que visam apenar depreciar o autor e atacá-lo diretamente, ao invés de abordar as obras do mesmo com olhar crítico e discernimento. Ossos do ofício, acredito eu. Faz parte, e é preciso saber lidar com isso, pois nem mesmo lendas como Tolkien e Cornwell agradaram a todos.

Portanto, resolvi não escrever uma resenha, mas uma lista com cinco motivos para você ler as obras deste autor. Claro que por essa abordagem já fica evidente que gosto e muito dos livros dele. Mas, mesmo sendo fã (#semprefuifã), tentei escrever usando mais a razão do que o coração, pois o objetivo não é dizer a vocês o quanto eu gosto do universo criado pelo autor, e sim explicar sucintamente os principais motivos pelos quais eu acredito que seja uma ótima ideia apostar em um de seus livros para sua próxima leitura.



Nota: as palavras abaixo expressam apenas o meu ponto de vista, portanto, não tenho como afirmar as verdadeiras preocupações e inspirações do autor.

1 - Não é "apenas" um universo sobre anjos e demônios.

Uma das principais qualidades de suas obras, ao meu ver, é a preocupação com os porquês. Percebe-se um claro esforço em ligar pontos e questionamentos que são inerentes a todos que se interessam por mitologia em geral. Unindo anjos e demônios à mitologia oriental, deuses nórdicos e  diversas outras criaturas e divindades de outras crenças espalhadas pelo globo, a obra é não somente versátil, mas dinâmica. Você pode acompanhar uma cena de luta entre um anjo celeste e uma divindade mitológica oriental, e alguns capítulos depois ser convidado a imergir num mundo de fadas célticas. E não, não pense que tudo isso é fruto de uma loucura incoerente do autor. Pois os pontos se conectam e as regras do universo são explicadas de maneira que não fique maçante ao leitor.

2 - O Brasil existe, por que negar?

Muitos autores já trabalharam em obras que mesclavam universos fantasiosos e criaturas lendárias com o nosso mundo atual e as regras da nossa realidade, mas o Brasil é pouco abordado na maioria das histórias. É claro que a Europa tem seu charme e o Japão é o palco dos samurais, mas não se esqueçam que nosso país também tem seu valor, tanto pelo seu povo quanto por suas belezas e cultura. Já estava na hora de ver nossas terras tendo alguma importância em um romance de proporções globais (nesse caso, universais). Alguns autores nacionais vêm conseguindo incluir o Brasil de maneira muito interessante em suas obras, e isso é excelente! E aquela cena logo no começo de ABdA, com os personagens na estátua do Cristo Redentor é simplesmente... bom, sem spoilers!

3 - Não é Preto no Branco

Se você gosta e consome conteúdo relacionado a anjos e demônios, você provavelmente já leu algum livro ou história em quadrinhos, assistiu algum filme ou série, ou mesmo compareceu a peças de teatro sobre o assunto. E você já deve ter as personas angélicas mais célebres bem sólidas em sua mente, certo? Miguel, com sua honra e coragem inabalável, Lúcifer, mesquinho e belo enquanto anjo, mas um horrendo monstrengo enquanto demônio. Bom, isso é normal, mas tente desconstruir um pouco alguns conceitos. Muito disso será visto, mas não pense nos personagens como se tudo fosse "Preto no Branco",  porque eles são muito mais profundos e tem muito mais a oferecer do que simples conceitos já previamente construídos e apresentados por outras mídias acerca do mesmo tipo de assunto.  

4 - As Cenas de Ação

Sei que nem todo mundo gosta de ler cenas de luta muito detalhadas. Eu, como bom fã de Cavaleiros do Zodíaco e outros animes, desenhos e filmes de ação, gosto muito desse tipo de cena, com golpes que tem nome e combates épicos, daqueles que deixam crateras enormes no chão e fazem reverberar o som estridente do metal de duas espadas místicas se chocando. Mas as cenas de ação destes livros não estão resumidas à pancadaria. Tem cenas de perseguição dignas de cinema, momentos de tensão envolvendo feitiçaria e suspense, e situações onde os personagens mal se movem, mas suas palavras cortam tanto quanto um duelo de espadachins, tão bem elaborados são os diálogos.

5 - Não se prende fielmente aos conceitos bíblicos e aos estudos de terceiros

É evidente que foi necessário muita pesquisa e estudo para se escrever tais livros, mas não pense que você vai encontrar uma releitura bíblica, apenas com cenas e tramas mais detalhadas. O autor teve sim preocupação em manter muitos conceitos importantes, mas ao mesmo tempo se deu a liberdade de criar todo um universo novo, com características específicas às castas angélicas, suposições plausíveis para catástrofes bíblicas, e outras coisas que fazem muito sentido dentro do universo criado pelo próprio autor. Ou seja, tudo foi explorado de modo que mesmo o "conhecido" pudesse trazer novidade, e a mitologia foi explorada de maneira muito fluída, facilitando a imersão, convidando o leitor a fazer parte daquele universo.

Bom, é isso, espero que gostem, e não deixem de apoiar os autores nacionais de fantasia, cada vez mais conhecidos tanto no cenário nacional, quanto no resto do globo.


See ya!

Influências Musicais (Parte I)

Bom, não costumo escrever sobre mim. Uso o blog mais para salvar alguns dos meus textos, principalmente pra ver se minha escrita evoluiu um pouco ao longo dos anos. Mas resolvi criar este post pra falar um pouco das minhas influências musicais, e o motivo é bem simples: deu vontade.

Decidi, também, que deveria seguir (ou tentar seguir) a ordem cronológica das coisas. E digo isso porque eu curto um monte de estilos diferentes, mas alguns deles marcaram determinadas épocas da minha vida. Quem me conhece há certo tempo sabe que eu normalmente escuto rock e heavy metal, e que também gosto muito de musicas instrumentais de guitarristas como John Petrucci e Jason Becker. Mas talvez alguns não saibam que eu não me nego a ouvir um bom hit da Lady Gaga, e que meu lado mano desperta quando pinta um Racionais MC's. Até um pouco de hip hop do Snoop Dogg cai bem de vez em quando.

Por isso volto para 2003 (acho que era esse o ano, porque eu tinha 13 anos na época, se não me engano), com "By The Way" do Red Hot Chili Peppers. Lembro que ganhei o CD de Natal, e ouvi aquele bendito álbum cerca de trinta e duas mil e quatrocentas e vinte e sete vezes (mais ou menos).  Na época, essa era minha música favorita do álbum: 




Obs. eu não fazia ideia da letra da música, mas curtia a vibe mesmo assim. Naquela época eu tinha computador mas não tinha internet, e não tava afim de comprar aquelas revistinhas de cifras só por causa da letra de uma música, então foda-se, eu curtia sem entender mesmo hahahaha